Coronavírus: embaixador diz que China vai facilitar retirada de brasileiros de Wuhan

Criado em 05/02/2020 por Administrador


Yang Wanming reuniu-se nesta terça-feira (4). em Brasília, com os ministros Tereza Cristina (Agricultura) e Tarcísio de Freitas (Infraestrutura).
Por Geovanna Gravia, TV Globo — Brasília

04/02/2020 11h48 Atualizado há 16 horas

O embaixador da China, Yang Wanming, disse nesta terça-feira (4) que o país respeita a decisão do Brasil de retirar cidadãos brasileiros que estão em Wuhan e que vai facilitar os trâmites.

A cidade de Wuham é a mais afetada pela epidemia de coronavírus na China. Até esta terça-feira, o país contabilizava 426 mortes provocadas pela doença e mais de 20 mil casos confirmados. No total, 24 países registram casos de coronavírus. O Brasil investiga 14 casos suspeitos.

"Respeitamos a decisão do governo do Brasil e entendemos essa decisão. Vamos prestar nosso apoio para os brasileiros que moram na China, facilitar, prestar as facilitações dos trâmites na cidade de Wuhan", disse.

Yang Wanming deu as declarações nesta terça após reunir-se, em Brasília, com os ministros Tereza Cristina (Agricultura) e Tarcísio de Freitas (Infraestrutura).

De acordo com o embaixador, a China tem um canal muito fluído com o Itamaraty e com o governo brasileiro e um comitê especial para tratar do coronavírus foi criado.

"Com base no espírito de abertura e transparência, nós vamos transmitir as informações e atualidades sobre essa doença para o Brasil e toda a comunidade internacional", disse. Até a última atualização desta reportagem, a China já tinha confirmado 425 mortes e mais de 20 mil casos da doença (veja no vídeo abaixo).

Wanming avaliou que a propagação do coronavírus é um desafio comum a todos os países da comunidade internacional, necessitando a coordenação e cooperação entre os países.

Coronavírus: governo chinês confirma 425 mortes e mais de 20 mil casos da doença

Risco de contaminação
Segundo o embaixador, a contaminação pelo novo coronavírus está muito controlada na fronteira da China e que o risco de transmissão para fora do país está diminuindo.

"Todas as agências de turismo lá na China já suspenderam os grupos turísticos para qualquer outro ponto para fora do país e qualquer turista chinês é obrigatório passar as inspeções de saúde, teste, antes de sair, passar na alfandega", diz.


Agronegócio
O embaixador chinês disse que o governo brasileiro se comprometeu a não impor qualquer restrição ao comércio com a China.

"Todos os esforços foram tomados para combater o coronavírus lá na China. E temos toda a confiança que a relação sino-brasileira, o agronegócio, não será prejudicada. E o Brasil, o governo brasileiro também prometeu não impor qualquer restrição a nossa, ao nosso comércio. Espero que a nossa relação no agronegócio seja cada dia mais consolidada", afirmou Wanming.

A ministra da Agricultura disse que, na conversa com o embaixador, ele detalhou as medidas tomadas pelo governo chinês para tentar conter a propagação do novo coronavírus.

Tereza Cristina reafirmou o acordo de não impor nenhuma restrição aos produtos chineses motivada pelos efeitos do coronavírus. Ela lembrou que o Brasil é o principal exportador de soja para a China, além do comércio de todos os tipos de proteína – frango, porco, bovinos.

De acordo com a ministra, o coronavírus e a gripe aviária que atingem a China não devem trazer "sobressaltos" à balança comercial dos dois países.

"Tratamos mais das nossas relações comerciais que, até onde nós dois pudemos conversar, deve continuar tranquilamente, sem nenhum sobressalto. Porque o Brasil é um grande parceiro da China. Na área agrícola, produtos agrícolas, e nós estamos tratando desse assunto, vamos acompanhar de perto. É muito importante essa proximidade do embaixador conosco, tratar sempre, nos municiando mas por enquanto ,tudo normal", disse Tereza Cristina.
Segundo ela, não há informação de que embarques de produtos brasileiros com destino à China tenham sido cancelados por conta do coronavírus.

Tereza Cristina ponderou, no entanto, que o mês de janeiro conta com as festividades do Ano Novo chinês, que duram uma semana e normalmente refletem na balança comercia. Impactos semelhantes, cita ela, são registrados com feriados prolongados como o Natal, o Ano Novo e o Dia de Ação de Graças.

A ministra complementou que, por enquanto, não há previsão de aumento das exportações brasileiras para a China por eventual aumento da demanda diante da gripe aviária.