Milho fica 12,4% mais caro e consumidores sentem reflexo na mesa em Ribeirão Preto

Criado em 03/02/2020 por Administrador


Farinhas que têm o grão na composição, aves e até ovos também encareceram em janeiro. Economista cita ainda alta na exportação do produto, mas diz que valor deve reduzir.
Por G1 Ribeirão Preto e Franca

02/02/2020 18h09 Atualizado há 12 horas

Preço do milho cresce 12,40% na primeira quinzena de janeiro

Só na primeira quinzena de janeiro, o preço da saca de milho aumentou 12,40% e estava sendo vendida por até R$ 52, segundo dados do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea) da Universidade de São Paulo (USP).

O reflexo já é sentido pelos consumidores e comerciantes em Ribeirão Preto (SP). Isso porque, a alta afeta não só o próprio produto, mas derivados, como a farinha de milho, e outros alimentos, como as aves, cuja ração é composta pelo grão.

Feirante há 30 anos na cidade, Ana Lúcia de Fernandes diz que já se acostumou com a variação de preço. Na banca, a bandeja com 12 espigas de milho é vendida por R$ 10, mas houve época em que Ana Lúcia vendia por R$ 12.

“Muita gente acha que está caro. O preço aumenta porque é fora de época e o milho é irrigado. Então, eles cobram mais caro. Mesmo assim, três vezes na semana a gente está buscando o produto sempre fresquinho”, afirma.

As farinhas que têm milho na composição também ficaram 3,35% mais caras. O fubá teve aumento de 8% e o cereal de milho encareceu 10%, de acordo com levantamento da Associação Paulista de Supermercados.


Aves alimentadas com ração à base de milho também ficaram mais caras. O preço do quilo do frango aumentou 12,48% e os ovos sofreram reajuste de 10,96% nos últimos 12 meses, ainda de acordo com dados do Cepea.

O economista José Rita Moreira explica que um dos motivo para a alteração do valor é o aumento da procura pelo milho no mercado internacional, o que fez o Brasil exportar mais.

“Existe uma demanda mundial por proteína animal, que é carne e frango, que precisam do milho para se alimentar. Então, há muita exportação do milho do Brasil. Com tudo isso, acaba tendo um desabastecimento local”, explica.

Apesar disso, o economista afirma que a tendência é de redução do valor das sacas de milho. “Isso é momentâneo. Temos um viés de baixa em curto prazo nos próximos dias”, finaliza.