Onyx se reúne com Bolsonaro no Alvorada: 'Fica tudo igual, não mudou nada', diz ministro - Por Guilherme Mazui, G1

Criado em 02/02/2020 por Administrador


O presidente Jair Bolsonaro se reuniu neste sábado (1), no Palácio da Alvorada, com o ministro-chefe da Casa Civil, Onyx Lorenzoni. A conversa entre Bolsonaro e Onyx ocorre após o ministro antecipar o retorno das férias diante da crise vividas nos últimos dias.
Ao fim da conversa, perguntado se fica na Casa Civil ou se poderia trocar de pasta no governo, Onyx disse que recebeu neste sábado tarefas de Bolsonaro a ser executadas no atual posto.
“Nós nem conversamos sobre isso [eventual mudança]. Nós conversamos sobre as tarefas do ministro da Casa Civil a partir já agora do meu retorno das férias. Hoje nós já conversamos sobre a rotina normal. Então, fica tudo igual, não mudou nada”, disse Onyx.
O ministro teve a permanência na pasta questionada após a Casa Civil ser "esvaziada" por determinação de Bolsonaro, que mandou demitir auxiliares de Onyx e transferiu o Programa de Parceria de Investimentos (PPI), subordinado a Onyx, para o Ministério da Economia, de Paulo Guedes.
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Neste sábado Onyx ficou pouco mais de uma hora reunido com Bolsonaro. Na saída, ele foi levado pelo presidente até o carro e recebeu um abraço na despedida.
Segundo o ministro, foi uma “reunião de trabalho”, na qual discutiram e revisaram trechos da mensagem presidencial a ser levada por Onyx ao Congresso na próxima segunda-feira (3). O chefe da Casa Civil representará Bolsonaro, que terá agendas em São Paulo, na abertura dos trabalhos do Congresso em 2020.
O ministro afirmou que o texto deve reafirmar o “norte do governo”, que prega “a redução do tamanho do estado”, o combate à criminalidade e corrupção, as reformas e a recuperação da confiança no país.
“Na mensagem estará o quê? Está que o governo continuará a fazer as reformas que o Brasil precisa”, disse Onyx.
Onyx declarou ter confiança de que as reformas poderão ser aprovadas mesmo em ano eleitoral. Em 2019, o governo aprovou as mudanças na aposentadoria, apresentou uma reforma do pacto federativo e pretende enviar suas propostas de reforma tributária e administrativa.
Articulação política
Perguntado sobre críticas que o governo recebe sobre a articulação política no Congresso, Onyx lembrou que a tarefa é executada pelo ministro Luiz Eduardo Ramos, chefe da Secretaria de Governo.
Para o ministro da Casa Civil, dificuldades na área são naturais em qualquer governo, em razão de disputas ideológicas, de programas e regionais.
"Eu desconheço, eu nunca conheci um governo que não tivesse dificuldade no parlamento, nunca conheci. Se alguém conhece, por favor, me dá o exemplo", argumentou.
Vicente Santini
A crise na Casa Civil teve início após Bolsonaro mandar exonerar o antigo número 2 da Casa Civil, José Vicente Santini, que utilizou uma aeronave da Força Aérea Brasileira (FAB) para ir ao Fórum Econômico Mundial, na Suíça, e para encontrar a comitiva de Bolsonaro na Índia.
Como estava à frente da Casa Civil, em razão das férias de Onyx, Santini poderia, por lei, utilizar os aviões da FAB para deslocamento. Contudo, Bolsonaro ficou irritado pois considerou a atitude “imoral”.
Demitido na terça-feria (28), Santini foi nomeado em seguida para outro cargo na Casa Civil. Bolsonaro, no entanto, decidiu tornar a nomeação sem efeito e ainda tirou o PPI da Casa Civil.
Ao colunista do G1 Gerson Camarotti, Onyx afirmou nesta sexta que a hipótese de deixar a pasta é uma "onda" que se formou na imprensa.
Neste sábado, Onyx informou que tratou com o presidente do caso do ex-número 2 da Casa Civil. “Nós conversamos sobre isso, mas isso é página virada, isso está resolvido e ponto final”, afirmou.
Casa Civil 'esvaziada'
Um dos principais nomes da campanha de Bolsonaro, o ministro comandou a transição de governo e assumiu a Casa Civil, porém perdeu força desde o início da gestão Bolsonaro, em janeiro de 2019.
A decisão tomada por Bolsonaro na última semana de tirar o PPI da Casa Civil deixou Onyx sem uma das principais atribuições da pasta, que já tinha perdido o comando da articulação política.
Onyx era o articulador político do Planalto, porém, em junho de 2019, a missão foi repassada ao ministro Luiz Eduardo Ramos, chefe da Secretaria de Governo, que é general do Exército e amigo de Bolsonaro.
Também saiu da Casa Civil a Subchefia para Assuntos Jurídicos (SAJ), que analisa a viabilidade jurídica dos atos assinados pelo presidente. A SAJ em governos passados ficava na Casa Civil, mas foi transferida para a Secretaria-Geral, comandado pelo ministro Jorge Oliveira.
Mesmo diante da série de mudanças, questionado sobre se o ministério teria sido "esvaziado", Onyx disse neste sábado que as atribuições da Casa Civil são "gigantescas".
“Eu não estou aqui, nem o presidente Bolsonaro, em busca de poder. Nós estamos aqui para servir o Brasil, é servir a sociedade. ... Ninguém aqui tem fome de poder, a gente tem fome de servir”, disse.
O ministro repetiu que Bolsonaro é seu “líder” e que fará o que o presidente determinar.
PPI
Perguntado sobre a transferência do PPI da Casa Civil para o Ministério da Economia, Onyx explicou que o plano de governo de Bolsonaro, feito durante a campanha eleitoral, já previa o programa de concessões chefiado pela área econômica.
“Isso era uma demanda antiga da economia”, argumentou. Onyx. O ministro relatou que conversará na segunda-feira (3) com o ministro Paulo Guedes sobre a transição do PPI da Casa Civil para Economia.
Coronavírus
Na sexta-feira (31), poucas horas após seu retorno das férias, Onyx esteve com Bolsonaro e outros ministros no Alvorada em uma reunião sobre ações para lidar a ameaça de chegada do coronavírus ao Brasil.
O tema voltou à pauta na conversa deste sábado. O ministro disse que o grupo interministerial criado para discutir o tema terá reunião às 10h da próxima segunda-feira (3).
O Brasil ainda não tem casos confirmados da doença. O Ministério da Saúde deve divulgar na tarde deste sábado um boletim atualizado sobre o monitoramento.