'Não temos pressa' para desfazer a carteira de ações, diz presidente do BNDES

Criado em 30/01/2020 por Administrador


Desde dezembro do ano passado, banco já se desfez de participações na Marfrig, na Light e na Petrobras.
Por Luísa Melo e Luiz Guilherme Gerbelli, G1

29/01/2020 16h49 Atualizado há 14 horas

O presidente do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), Gustavo Montezano, disse nesta quarta-feira (29) que a instituição não tem pressa para se desfazer das ações em poder do BNDESPar, braço do banco que investe diretamente em empresas.

O BNDES tem em carteira R$ 120 bilhões. Montezano reiterou que o objeto é praticamente zerar a carteira de ações do banco até o fim de 2022.

“Em relação a carteira do BNDESPar, a gente tem três anos para desinvestir isso. Então, o primeiro recado é: não temos pressa”, afirmou Montezano durante participação em evento do banco Credit Suisse, em São Paulo. “A gente vai colocando os ativos conforme o mercado for absorvendo. Se o mercado absorver mais rápido, a gente vai fazer isso de forma mais célere”


O processo de desinvestimento foi anunciado no fim do ano passado. Na semana passada, a Petrobras anunciou que o BNDES vai se desfazer das ações da petroleira que estão em poder do banco. O banco detém cerca de 10% do total de ações ordinárias emitidas pela companhia, e a oferta pública global tem valor de até R$ 23,5 bilhões.

O banco também já se desfez de papéis da Marfrig em dezembro do ano passado, e da Light em janeiro deste ano.

“A nossa expectativa é que chegando em 2022 essa carteira de ações esteja o mais próximo de zero possível. Não estamos aqui para ganhar dinheiro especulativo, estamos aqui para gerar lucro social, gerar valor agregado para a sociedade”, disse o executivo.

'Caixa preta'
Presidente do BNDES apresentou hoje novos valores sobre auditoria no banco

Montezano voltou a falar que nada de ilegal foi encontrado na investigação contratada pelo BNDES para analisar as operações realizadas pelo banco nos últimos anos.

“A verdade é a seguinte: não teve nada de ilegal. Isso já foi virado, desvirado. Todas as operações que passaram pelo banco foram 100% legalizadas”, disse.
Mais cedo em Brasília, o executivo disse que a instituição não tinha mais nada a esclarecer e corrigiu o valor gasto pela instituição na auditoria. O banco gastou R$ 42,7 milhões, e não de R$ 48 milhões como foi informado anteriormente.

O valor, segundo Montezano, foi corrigido com base nos pagamentos feitos em dólar, pelo câmbio de cada data de aprovação.