Bovespa fecha em queda nesta sexta com tensão no exterior O Ibovespa recuou 0,73%, a 117.706 pontos. Por G1

Criado em 04/01/2020 por Administrador


O principal índice da bolsa de valores brasileira, a B3, fechou em queda nesta sexta-feira (3), em dia de nervosismo nos mercados internacionais, após um ataque aéreo dos Estados Unidos matar um dos principais chefes militares do Irã, em um aeroporto em Bagdá. Isso provocou preocupações sobre a escalada das tensão no Oriente Médio.

Nesta sexta, o Ibovespa caiu 0,73%, a 117.706 pontos. Veja mais cotações. Na véspera, a bolsa brasileira fechou em alta de 2,53%, a 118.573 pontos, renovando recorde de pontuação.

Já o dólar fechou em alta, sendo negociado no patamar de R$ 4,05.
Principais destaques
As companhias aéreas registraram as principais baixas desta sexta, refletindo preocupações com os preços dos combustíveis, após a disparada dos preços do petróleo. As ações da Gol caíram 3,39% e fecharam o dia cotadas a R$ 35,90 por ação. Já os papéis da Azul tiveram queda de 2,82%, a R$ 57,14.

As ações ordinárias da Petrobrás, por sua vez, recuaram 2,47%, após terem segurado a alta durante boa parte do pregão. O presidente Jair Bolsonaro afirmou que tentou falar com o presidente da Petrobras, Roberto Castello Branco, e com o ministro da Economia, Paulo Guedes, sobre riscos de uma possível alta de combustíveis no país, destacou a Reuters.

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Já a Brasken liderou as altas, com avanço de mais de 5,03%, após acertar com autoridades federais e estaduais de Alagoas um acordo de R$ 2,7 bilhões. Esses recursos serão direcionados para reparar prejuízos a milhares de vítimas de fenômeno de afundamento e rachaduras de solo que atinge a capital do estado há meses. A cifra inclui gastos com fechamento de poços de mineração de sal na região.

Já as ações da Natura saltaram 6,97%, com a conclusão da compra da Avon. A operação fará com que a companhia se torne o quarto maior grupo de beleza do mundo.
Movimento durante o dia
No pior momento da sessão, o Ibovespa chegou a cair 1,2%. Ao longo da tarde, a bolsa começou a recuperar as perdas e o índice chegou a operar no azul.

Para Raphael Guimarães, operador de renda variável da RJ Investimentos, a tensão no Oriente Médio pode ser prolongada com o desenrolar da história afetando o mercado no longo prazo.

"O mercado está aguardando o posicionamento do Irã sobre uma potencial retaliação aos EUA e as consequências que isso pode desencadear", afirmou à Reuters. Ele acrescentou que espera que os preços do petróleo continuem sendo puxados no médio prazo.

O ataque em Bagdá
Um ataque aéreo no aeroporto de Bagdá matou o major-general Qassem Soleimani, arquiteto da crescente influência militar do Irã no Oriente Médio e um herói entre muitos iranianos e xiitas da região.

Os EUA afirmaram que Soleimani planejava um ataque iminente a instalações e trabalhadores norte-americanos no Iraque, Líbano, Síria e outros países.

Já o líder supremo do Irã, aiatolá Ali Khamenei, disse que uma dura vingança aguarda os "criminosos" que mataram Soleimani.

A embaixada dos Estados Unidos em Bagdá pediu nesta sexta-feira a todos os cidadãos norte-americanos que deixem o Iraque imediatamente devido à escalada nas tensões.

Escalada das tensões
Soleimani era um alto líder das forças militares iranianas e um herói nacional, portanto os especialistas dizem que o impacto geopolítico do atentado será alto.

O colunista Guga Chacra, da GloboNews, afirma que Soleimani era um dos homens mais poderosos do Irã e que sua morte terá consequências geopolíticas gravíssimas.

Ele chefiava a Guarda Revolucionária, uma força paramilitar de elite que responde diretamente ao aiatolá Ali Khamenei, líder supremo do país há 30 anos.

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As mortes ocorrem em meio a uma escalada de tensão no Iraque que ameaça transformar o país em um campo de batalha entre forças apoiadas por Estados Unidos e Irã no Oriente Médio.

Desde o fim de outubro, militares e diplomatas americanos foram alvo de ataques, e na semana passada um funcionário dos EUA morreu em um bombardeio com foguetes.

A crise subiu de patamar na terça (31), quando milicianos iraquianos invadiram a embaixada americana em Bagdá. Trump acusou o Irã de estar por trás e prometeu retaliação.

A invasão da embaixada foi uma resposta a um ataque americano na fronteira com a Síria que matou 25 combatentes das Forças de Mobilização Popular do Iraque no domingo (29).